VIAGENS



                    CASA PUEBLO
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ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA...

Em Punta Ballena, Urugay, localiza-se a famosa "CasaPueblo" construída acompanhando o traçado das rochas do penhasco marítimo, um todo orgânico branco sem linhas retas, irregular e complexa, partes claustrofóbicas e partes ágorafóbicas, lembrando bastante o catalão Gaudi (Sagrada Família) e com "veias" em alto relevo pelas paredes conduzindo encanamento de água e fios elétricos, muito orgânica, biônica, sentí a mesma emoção que quando ví pela primeira vez a "Arquitetura Arquétipa" de Martin e Roger Dean-Inglaterra, anos 70 .

CASAPUEBLO começou como um excêntrico ateliêr do artista plástico Carlos Páez Vilaró ...pintor, gravador, ceramista, muralista, escultor, cineasta, escritor, etc..um artista multimídia que chama casapueblo de "escultura para viver" e a concebeu como um tipo de instalação-intervenção no penhasco rochoso no qual foi crescendo espontaneamente por mais de 30 anos e continua sendo construída pelo forte Vilaró nascido em 1923 com 71 anos que passou por mim apressado e cheio de vigor com passos largos e estrondosos, semblante sério, mas de bem com a vida com seus olhos brilhantes de artista realizado .

O poeta brasileiro Vinícius de Moraes dizia que casapueblo era um labirinto grego, uma vez dentro não de sabe se está entrando ou saindo; Vinícius compôs o hino de caspueblo:

"Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede. Ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha alí,... mas era feita com pororó, era a casa de Vilaró"

Depois, Vinícius adaptou a canção e lançou no Brasil, é um prazer descobrir aqui sua origem..

Cada personalidade que visitou CasaPueblo teve um quarto com banheiro construído para sua estadia: Robert de Niro, Omar Sharif, Brigite Bardot , Che Guevara, Carlos Menem, Tony Curtis, Ivo Pitangui, João Gulart, Toquinho e Vinícis, Patrick (filho de Jonh Wayne) e Anthony (filho de Alain Delon) etc... no que hoje é um hotel internacional com mais de cem quartos e sempre crescendo.

Em 1972 um dos filhos de Vilaró estava no avião que caiu no Chile, na cordilheira dos andes, quando por meses tiveram que comer carne humana, e Vilaró escreveu um livro sobre seu drama de pai, a foto do reencontro é a capa deste best-seller que virou um filme de hollywood-USA.

Visitando brasília em construção, Carlos Paez Vilaró escreveu um livro sobre ela e criou sua casapueblo sem linhas retas para ser mais humana, uma ANTI-BRASÍLIA urugaya!!! Concordo com ele minha cidade ideal seria uma Cidade Fractal.



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Carlos foi membro fundador e incentivador do "Grupo 8 del Uruguay", grupo de artistas plásticos com sponsoring (mecenato) de Rodolfo Mezzera cujo marketing de arte levou a produção uruguaya a todo mundo em exposições itinerantes como mostruário-vitrine para serem feitas encomendas pelos marchands locais, um excelente projeto de marketing cultural global a ser exemplo para nós, brasileiros.

Nos seus livros, a única queixa de Vilaró era contra "...la solapada tradición de obstaculizar la marcha a los que hacen cosas.." isto lembrou-me muito do ambiente de trabalho em certas faculdades brasileiras, o que mostra a universalidade da conspiração dos medíocres, improdutivos e invejosos que amargam frustração e fracasso pessoal.

Em 1964, Carlos Paez Vilaró teve sala na VIII Bienal Internacional de Arte de São Paulo-Brasil com sua "PLAC-ART" um tipo de instalação com objetos, robots, luzes , cores e sons unificados como uma fusão de Pop e Op Art, e nesta bienal recebeu o prêmio pesquisa .

Nos anos 70 criou as caixas Stand-Art, expostas a convite no MASP.

Seu filme "Pulsation" de 1969 é considerado o precursor da linguagem de videoclipes (e de experimentos como "Koyanasquatch"), "Pulsation" foi filmado por três anos no Pacífico Norte, com música de Astor Piazzola, pontuando imagem sonorizadas com o impacto do "Esperanto del silêncio" onde o espectador cria-projeta sentido, é cúmplice ao construir a história além das barreiras da linguagem..projeto interativo pioneiro, que lembra o Poema-Processo, a Instalação e a Web-Art.

A visita ao museu CasaPueblo foi o ponto alto da viagem, no meu entender, cinco dólares com direito ao vídeo-documentário sobre vida e obra de Carlos Paez Vilaró e andar pelos diversos pisos do museu a esquerda, enquanto o hotel fica à direita... na foto, estou no restaurante, ainda comovido com a emoção de estar dentro da "escultura para morar", a casa dos sonhos de Carlos Páez Vilaró ....



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Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton