HISTÓRIA EM QUADRINHOS



AS CORES DE CALAZANS

A HQ como instrumento de Liberdade

Fui convidado pela Gibiteca Henfil de São Paulo a fazer uma exposição quando completei dez anos de publicações profissionais de quadrinhos em 1991.

Ao organizar o material dividindo-o em blocos temáticos ocorreu-me atribuir um código de cores às seções , e este estudo cromático veio sendo apurado e tornando-se gradativamente mais sofisticado até hoje, novas vertentes e subdivisões surgindo na sinceridade do artista coerente entre sua vida e o conjunto de sua obra em processo.

Todas as pranchas estão prontas e disponíveis para exposições e oficinas-vivências-workshops-palestras-depoimentos de como montar portfólio apresentável a editoras e como fazer uma carreira internacional sem trair a sí próprio nem trocar de nome ou prostituir sua mensagem cedendo ao gosto do mercado, à média ( medíocre é o que enquadra-se na média, etimologicamente; Jung diz que ser medíocre é a meta dos fracassados!).



A cor vermelha congrega a temática de contestação, libertária, anárquica e politizada com os personagens de contracultura alternativa-fanzines: os 20 anos do zine ''Barata'', os cinco anos das tiras de jornal do Tatuí , o Poeta dos Paradoxos e a musa adolescente Tyli-Tyli, os álbuns ''Guerra das Idéias''( história do conflito entre idéias autoritárias e libertárias em 27 episódios detalhadamente pesquisados da pré-históra aos satélites, com a terceira edição esgotada) e ''Absurdo''( experimental, feito sob hipnose), minha crítica pessoal às instituições e à civilização tecnológica urbana alienada pela mídia subliminar e a opção individual de resistir e ser feliz.

Já a cor verde traz contos de fadas, gigantes, sereias, duendes e dragões; são quadrinhos-fábulas poéticas em um tom místico e ecológico, minha militância pela natureza, onde transitam meus sonhos e mitos mais antigos,talvez arquétipos do Inconsciente Coletivo (Jung).

Então, na cor azul vem a série de álbuns ''Guerra dos Golfinhos'' ( Publicada pela revista Porrada da editora Vidente, 60 mil exemplares por episódio, em distribuição nacional), uma confederação de comunidades submarinas no ano 85 de um futuro que usa outro calendário, ficção científica extrema e minuciosamente pesquisada em cada detalhe, composição de vanguarda da diagramação à mudança de personagem principal e multiplicidade de focos narrativos, retrato minha paixão pelo mar e meu esporte de mergulho em apinéia.

Ainda tem a cor marrom , apresentando meu pesadelo urbanofóbico, um mundo sombrio de megalópolis superpopuladas como no livro 1984 de Orwell, onde um Black-out desencadeia saques e vandalismo -a HQ ''Falta de Força'' (publicada na revista Aventura e Ficção 19, editora Abril, 120 mil exemplares) e o ''arrastão antropófago'' de gangues de menores de rua em ''Uasca'' ( álbum Brazilian HEAVY METAL) , meu grito de socorro no qual alerto que todos nós somos responsáveis pelo futuro que -por omissão- estamos permitindo que consolide-se.

Também tem aquelas c o l o r i d a s como o Arco-Íris Bifrost , onde a signagem cromática cria uma rede intersemiótica peirceana de mensagens subliminares estéticas , como ''Ensino de Maça'' ( revista Fêmea Feroz n.1, 20 mil exemplares ) e ''Canção do Centauro'' escrita em versos octassílabos-redondilha menor subliminar segundo Jacobson, a hq cíclica ''Eco-Lógica'' do jornal Barlavento -Portugal, e outras fruto de alta pesquisa nexualisticamente unindo como pontes os conhecimentos das ciências com os conhecimentos místicos ( lembrando o exú daimon de Sócrates - pai da Filosofia, e a prática de alquimia de Newton - pai da Física).


A Hora da Horta
Os OUTROS 500 - A Hora da Horta




Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton
HQ COLORIDA HQ VERDE HQ AZUL HQ VERMELHA HQ MARROM