PROJETOS CIENTÍFICOS




CIDADE ARCO-ÍRIS



Segundo princípio de programação visual, estudou-se a possibilidade de aplicação prática de uma intervenção no Ecossistema Visual Urbano da cidade de Santos (SP), criando um código subliminar de localização instantânea que fosse icônico sem ser necessariamente figurativo.

Santos é uma cidade portuária cujo potencial turístico sempre foi relegado a segundo plano, e o traçado urbano da cidade surgiu de um projeto do sanitarista Saturnino de Brito em 1910, onde, na orla da praia, existem canais fluviais.

Ora, propôs-se a pintura de cada canal com uma das sete cores do arco-íris segundo a teoria da cor de Newton, criando assim a CIDADE ARCO-ÍRIS.



Este projeto foi apresentado ao grupo CROMA, formado por pesquisadores da cor em Santos e, das reuniões em grupo, surgiu o PROJETO CIDADE ARCO-ÍRIS.

A pintura dos sete canais nas sete cores do arco-íris (canal 1-vermelho, canal 2-laranja, canal 3-amarelo, canal 4-verde, canal 5-azul ciano, canal 6-azul anil, canal 7-violeta) somou-se à pintura das placas de itinerário dos ônibus urbanos.

Este código cromático facilitaria a localização (gerando mapas mentais, settings) dos turistas na malha urbana, que perceberiam subliminarmente, inconscientemente, estes sinais fracos e delicados das cores nas muretas dos canais da praia e dos ônibus, tornando a cidade ''legível'', alegre e topofílica.



O termo topofilia é explicado por Yi-Fu Tuan na obra ''Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente'' (Ed. Difel, SP, 1980): ''A palavra topofilia é um neologismo, útil quando pode ser definida em sentido amplo, incluindo todos os laços afetivos dos seres humanos com o meio ambiente material'' (pág. 107).

Turistas oriundos de outras culturas, usuários de outros alfabetos (russos, japoneses, chineses, árabes, etc.) teriam facilidade em aprender a trama urbana cromática, cuja identidade visual instantânea estaria nos ônibus e nos canais, apropriando-se, assim, do sentido de direção e tornando-se familiarizados ao espaço (estimulando o complexo réptil do cérebro, área cerebral que rege a percepção do território).



Também seriam beneficiados os trabalhadores imigrantes, analfabetos e crianças em idade escolar, cuja locomoção seria facilitada pelas cores, num código cromático não-figurativo de compreensão rápida e uso inconsciente, referencial subliminar de localização no Ecossistema Urbano Santista.

A estes benefícios sociais e urbanísticos vem somar-se o atrativo turístico, ao propor-se a campanha ''Festival Arco-Íris''.



Uma vez escolhido o mês de menos faturamento no varejo, nos restaurantes e na rede hoteleira, aproveitar-se-ia então para inaugurar a pintura da cidade com um festival anual, que abrangeria: esportes de praia com equipes vestidas com as cores de cada canal, escultura em areia colorida, concurso de beleza com biquínis das cores, balões de gás coloridos, festival de música, teatro, literatura, artes plásticas, etc...

A campanha turística internacional ''Visite Santos - A Cidade Arco-Íris'' exploraria o emprego do código cromático não-figurativo, não-digital, de visibilidade instantânea nas placas de percurso dos ônibus à distância e a presença das cores nos canais. Os sete canais dispensariam, aos poucos, o código digital dos números e nomes das avenidas onde se localizam.

O PROJETO CIDADE ARCO-ÍRIS foi engavetado pela administração Telma de Souza, embora duas firmas de tintas tivessem manifestado interesse em patrociná-lo. Santos apresentava-se como cidade já configurada, já existente, e uma vez vencido este desafio de formatar estas teorias à realidade, partiu-se para outro projeto: a construção de uma cidade nova.

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Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton
Ilustração feita por Renê Dalton